A desvalorização das filarmônicas nas celebrações de 7 de setembro é um tema preocupante e recorrente, especialmente em algumas regiões do Brasil. Essas bandas, que possuem uma tradição centenária em muitas cidades, desempenham um papel importante na formação cultural e musical do país, mas vêm enfrentando uma série de desafios, entre os quais: a falta de reconhecimento muitas vezes, as filarmônicas são vistas como peças secundárias nas festividades cívicas, sendo substituídas por outras formas de entretenimento ou pela simplificação das celebrações como as que ocorrem sempre. O não financiamento e a falta de apoio têm diminuído em várias localidades e a utilização das filarmônicas em atos cívicos como os de hoje, dificultando tanto a manutenção de instrumentos, uniformes e futuros alunos.
A pouca visibilidade dada as bandas como em muitos outros eventos tem se tornado crescente, às bandas filarmônicas, não estão sendo vistas por parte da população, o que breve pode contribuir para a falta de interesse em preservá-las e envolvê-las em eventos oficiais ou até em outros momentos em nossa comunidade.
“Não penso em perda de espaço para outras atrações, pois em nossa cidade as paradas cívicas e eventos de 7 de setembro vêm sendo dominadas por desfiles de escolas particulares que deveriam manifestar mais ímpeto em tocar o Hino Nacional Brasileiro e os demais hinos, para muitos este desfile soa como atração de entretenimento mais moderna, o que vem diminuindo o espaço para a participação das nossas filarmônicas.” Uma fala do maestro que não tem espaço para entrevista e nem o quer, apenas quer a valorização das filarmônicas e de seus músicos.
“Esse cenário de desvalorização compromete a continuidade de uma tradição importante que não só celebra a história musical da nossa comunidade, mas também porque ambas tem um papel educativo e de inclusão social, pois muitas dessas bandas formam músicos em comunidades carentes, promovendo cultura e cidadania. Há uma necessidade crescente já vista a tempos pelo maestro da filarmônica Grupo Musical 2 de Janeiro de que deve existir políticas públicas e iniciativas que valorizem as nossas filarmônicas e os nossos musicistas que já fazem de forma direta e indireta o trabalho voluntário voltado ao ato cívico, para que ambas possam continuar desempenhando seu papel nas festividades e além delas.”
Texto de Eduyr Silva - maestro e presidente da filarmônica 2 de Janeiro.
Canavieiras, 07 de setembro de 2024. 17hs:29 min